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40 anos depois


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Comemoram-se em 2014 quarenta anos de uma revolução que os portugueses consideram ser o evento mais importante da História de Portugal, de acordo com um inquérito do Instituto de Ciências Sociais de Lisboa, publicado recentemente pelo jornal Expresso. Para os portugueses a revolução de Abril de 1974 supera momentos tão importantes para a nossa identidade nacional como a batalha de Aljubarrota, a restauração da independência ou a implantação da República na qual vivemos hoje.

O mesmo inquérito demonstra também que são as pessoas com menor nível de ensino aquelas que dão maior importância ao 25 de Abril e que são as mulheres quem mais significado atribui ao momento histórico. E demonstra ainda que nos últimos 10 anos diminuíram os juízos negativos sobre o regime que existia antes de 1974.

Mas o que é claro é que existiu uma mudança e que os portugueses gostaram da transformação. Há um antes e depois. E se é verdade que este metamorfismo foi positivo, porque permitiu um país democrático, mais desenvolvido e mais equilibrado, também é verdade que teve momentos muito conturbados e difíceis, em que própria democracia que conhecemos hoje perigou.

É óbvio que somos hoje um país melhor, mais desenvolvido, mais europeu (basta olhar para os indicadores de desenvolvimento social). Temos um sistema nacional de saúde que ainda que caro é a inveja de muitos, um sistema educativo que, ainda que caríssimo e pouco eficiente, permitiu a muitos o acesso a uma vida melhor e temos acima de tudo o direito de escolher, de exercer a nossa cidadania e fazer opções. Claro que a mudança também teve os seus momentos negativos e que influenciaram o que somos hoje. As nacionalizações, os saneamentos, as perseguições, as prisões sem justificação ou culpa, o exílio de muitos dos mais preparados, as crises políticas e financeiras.

Mas o 25 de Abril mostrou-nos sobretudo a nossa incapacidade em mudar o mais importante, a mentalidade. Continuamos agarrados a velhos chavões que ainda que discutíveis seriam aceitáveis no calor revolucionário. Aceitamos mal os sucessos alheios e continuamos mesquinhos e invejosos na generalidade dos casos. Continuamos agarrados ao Estado, de quem esperamos tudo e a quem oferecemos pouco ou nada. Precisamos sempre de figuras fortes que nos digam o que fazer, ao invés de tentarmos ser inovadores e pensarmos em mudar o país. Continuamos a defender o indefensável ainda que todos os indicadores nos demonstrem ser impossível e vivemos apenas e só o presente esquecendo e ignorando o futuro, como se nunca lá chegássemos. Continuamos bajuladores de quem tem o poder com a ansia de dele poder de alguma forma beneficiar. Criamos um monstro que hoje temos dificuldade em mudar, porque sobretudo não lidamos bem com a mudança. Continuamos presos ao imobilismo e esperamos sempre que alguém nos salve, ao invés de nos tentarmos salvar a nós próprios. E tendemos a nunca pensar por nós, porque rejeitamos sempre o eu e a nossa individualidade.

Confesso que para alguém como eu, que nasceu depois de 74, muitas das frases e dos chavões que ainda hoje são utilizados por quem viveu esse momento não fazem sentido. Nunca me preocupei muito com o que era o Portugal de antes, mas preocupo-me com o que é o Portugal de hoje e sobretudo de amanhã. Tenho dificuldade em entender pessoas que parecem ter a necessidade permanente de agradecimentos pelo que fizeram há 40 anos. Para mim a data mais não é que um evento histórico, como a fundação da nacionalidade ou a chegada à India.

Vale apenas e só por isso. Sempre me recordo de viver em democracia, de poder fazer opções, de manifestar o que penso, de exercer a minha cidadania. Por isso para mim, importante seria discutirmos e pensarmos o país que queremos para nós e para os nossos filhos, adapta-lo à realidade, ao presente, ao invés de continuarmos agarrados ao passado. Temos de pensar o futuro e deixar para trás o que lá devia ter ficado. Cometemos erros e teremos que viver com eles. A vida é assim.

 

Texto por: Bruno Carneiro, CEO da Servdebt @ jornal Vida Económica Nº 1536 / 11 de Abril 2014

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